quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Projeto Gaveta chega a São Paulo com o tema Celebrando Consciência e Coletividade






No próximo sábado, dia 07, acontecerá em São Paulo um evento super bacana sobre moda e novas formas de consumo. A organização fica por conta do Projeto Gaveta, uma iniciativa que fomenta trocas de roupas.

O Projeto foi criado em 2013 e já realizou quatro edições da feira, totalizando 600 participantes e mais de 22.000 peças circuladas.

Além da rede de troca, que vai ser feita em parceria com o Roupa Livre, haverá outras atrações como feira de roupas sustentáveis, comidinhas, workshops, palestras e a exposição Descascado, que vai fazer uma viagem do Rio até São Paulo.



As oficinas estão muito legais, super bem pensadas, e todas fomentam o ensino de técnicas que podem prolongar a vida útil de uma roupa ou produto, ao invés de jogá-lo fora de maneira descartável.

E são elas: upcycling de bordado com o Clube do Bordado, conserto de calçados com a Rabbleshoes, SOS Costura com Roupa Livre e a Costureirinha (técnicas de costura à mão) e Costura Básica de Kit Lixo Zero, com o Roupa Livre e Alinha.

As palestras foram divididas em três temas: Rebobine, por favor - para falar sobre velocidade de produção e novas formas de consumo, Fashion Revolution - para debater sobre negócios conscientes e Jornalismo e Moda Sustentável - para falar sobre os desafios de se comunicar sobre um novo jeito de se consumir, e como a moda, que sempre estimulou o consumo, está lidando com o novo cenário.

Entre os convidados estão Mari Pelli, Gabi Mazepa, Marina Colerato, Carolina Delgado, Luciana Nunes, Instituto Chão, Max Nolan Shen, Dari Santos, Leandro Elias Miguel, Lilian Pacce, Pedro Diniz, Camila Yahn e Silvana Holzmeister.



Muito interessante né? Se você não for de São Paulo ou não puder comparecer ao evento, as palestras serão transmitidas ao vivo e online pelo Facebook ou Instagram do Projeto Gaveta.

O evento acontecerá no MIS, Museu da Imagem e Som, localizado na Avenida Europa 158, a partir das 10h.

Para saber mais sobre tudo o que vai rolar, acesse o evento pelo Facebook.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Congresso Internacional de Negócios da Moda - 5ª edição





Na próxima semana, de 25 a 28 de setembro, acontecerá a 5ª edição do CINM - Congresso Internacional de Negócios da Moda. O evento já aconteceu em edições anteriores no Rio de Janeiro e em Portugal e este ano será sediado em São Paulo, na EACH-USP (zona leste).

O CINM é organizado pelo Instituto Brasileiro de Moda (IbModa) e faz parte da Semana Brasileira de Moda, que está em sua primeira edição. Será um evento muito rico com palestras, oficinas, apresentação de trabalhos, tudo em torno do tema "O Futuro da Moda".

Eu terei a honra de palestrar no Congresso no dia 27 de setembro, quarta-feira. Estarei lá em nome do Follow the Colours na mesa "A Sustentabilidade está no DNA" e o tema principal do dia será "Formas e Volumes".






Estou muito feliz com esse convite e muito alegre por fazer parte de um evento tão importante para a moda brasileira. Além das discussões, o Congresso também traz conversas sobre inovação e tecnologia e negócios de moda.

A programação está imperdível, com nomes como Flavia Aranha, Fernanda Simon (Fashion Revolution Brasil), André Carvalhal (Malha), Rafael Cervone (ABIT), Marina Kadooka (Levi's), Lúcia Udemezue (Manifesto Crespo).

Confira aqui a programação completa e não deixe de fazer sua inscrição!



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Três produtos bacanas feitos por marcas brasileiras e sustentáveis

Em busca de mudar o meu comportamento de consumo e ter maior controle sobre aquilo que eu compro, tenho pesquisado e testado novas marcas. Hoje vim falar sobre três produtos que experimentei e que ao meu ver, valem a pena de se investir:



Sapato com conforto e alta durabilidade

Já falei um pouco da marca por aqui e acredito que ela já seja conhecida por muitas pessoas hoje. A Insecta Shoes é uma marca brasileira, de Porto Alegre e produz sapatos veganos, feitos a partir de roupas de brechó e com o solado feito da reciclagem de garrafas pet.

Os produtos da Insecta são de extrema qualidade e duram muito. Se formos comparar com os preços de shopping, os da Insecta não são algo tão exorbitante, e valem muito a pena. Além disso, é muito bacana apoiar uma marca menor e que cria um produto brasileiro de qualidade.

É uma compra que vale muito a pena o custo benefício, além de ser uma peça com muito estilo, pois cada modelo tem uma estampa única. Esse modelo é o meu xodózinho e é da parceria da Insecta com a estilista Flavia Aranha. Todo o tecido dele é tingido naturalmente.



Bolsa topa tudo

Eu estou apaixonada por um modelo de bolsa da marca Sta Spalla. É um bauzinho, feito de madeira de origem legal e couro excedente da produção. É uma forma de dar um novo uso a algo que já foi criado, sem gerar nova demanda. Essa proposta me chamou muita atenção porque é muito legal pegar algo que é excedente de uma produção, que provavelmente se tornaria lixo, e dar um novo sentido a ele.

O que eu mais gosto na marca é que ela alia reaproveitamento de materiais com um design único, criando um produto de qualidade e diferenciado, feito no Brasil.






Cosméticos veganos

Eu amo conhecer marcas de produtos de beleza naturais e já tinha ouvido muito falar da Sabon Sabon. São muitos sabonetes diferentes, cada um pensado de acordo com o tipo de pele ou função (relaxante, hidratante, esfoliante) e todos artesanais, feitos a partir da técnica de cold process.

O que eu experimentei foi o Xuê, feito com argila rosa e óleos hidratantes. Fiquei ainda mais encantada com a marca quando vi que as embalagens são feitas de um papelão durinho, como uma caixinha mesmo. Ai invés de ir pro lixo, ela pode ser customizada e reutilizada para guardar coisas como jóias ou acessórios de papelaria. 


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Moda com Propósito


Sempre admirei o trabalho do André Carvalhal. Por isso, quando li o seu segundo livro, fiquei admirada em como ele se abriu para refletir sobre o próprio trabalho. No ano passado, tive a oportunidade de assistir a uma palestra dele no Paraty Eco Festival. Foi lá que ouvi pela primeira vez sobre a Malha e sobre o novo rumo profissional que ele estava tomando na moda.

Em Moda com Propósito, André revela um despertar que envolve o mundo da moda e a ele mesmo. Tendo trabalhado por muitos anos em uma das lojas mais famosas do Brasil, ele hoje é sócio e co-fundador da MALHA, um espaço que fomenta marcas baseadas na sustentabilidade, slow-fashion e upciclyng.

No livro, entendemos melhor sobre o período de transição que a moda está vivendo e suas incertezas diante da incapacidade de prever o futuro. Entendemos como a crise econômica e a expansão de consciência estão moldando os padrões de consumo das pessoas e a forma como se relacionam com as marcas. 

É esperançoso ver que André, como representante do segmento de moda e mais, grande influenciador desse meio, se engaja totalmente em um manifesto de transformação da moda, de sua lógica produtiva. Como ele diz em certo trecho, será preciso "rever os conceitos de todos os processos...".


É acalentador saber que pessoas da moda estão se comprometendo com tanta seriedade e veracidade com uma mudança estrutural em seu meio. Que entendem, expõem e compartilham os problemas sociais, éticos e econômicos que existem na moda e defendem com coragem novos modelos.

André ressalta que há um momento de virada, uma nova era, já acontecendo. Por espontâneo querer ou por pressão, as marcas estão mudando. Velhos modelos já não se sustentam mais. As pessoas estão mudando e estão fazendo as marcas mudarem com elas.

Muito já está sendo feito, muito ainda há de se descobrir e muito ainda há que se fazer. A indústria da moda é uma das mais poluidoras do mundo e uma das que mais emprega. Que esses empregos possam respeitar os trabalhadores e que de poluidora, seja propagadora de novos exemplos, de um trabalho justo, criativo, autoral, de moda.

O consumismo está dando lugar para a consciência. As pessoas passam a se preocupar em saber quem fez suas roupas, em quais condições, com quais materiais. Entendem e valorizam uma produção mais demorada e mais humana. Prefrem comprar menos e melhor, e não necessariamente o mais barato. Junto com isso, entendem melhor sobre elas mesmas, sobre seu estilo, sem imposições sociais ou sem querer apenas agradar e atender a padrões.

O livro é uma provocação a pararmos para pensar, nos questinarmos sobre propósitos e valores. Ele incita a vontade de procurar respostas, o que já é tão importante quanto achá-las. Nos motiva a pensarmos nos outros e em nós mesmos, e a levar uma mudança de humanização para a moda e para a vida.  






quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Visita ao Projeto Tamar - Praia do Forte, Bahia



Nesse primeiro post de 2017 trago como tema a natureza e a preservação. No Natal eu tive a oportunidade de viajar para a Bahia e conhecer mais um pedaço do nosso país. Eu verdadeiramente amo o Brasil, e pude me assegurar de como somos um país abençoado, cheio de belezas naturais e que precisam que nós tenhamos cuidado com elas. 


Acredito que nós precisamos dar um pouco mais de atenção para o que é nosso, aprender a valorizar o nosso país e a preservar toda a sua riqueza. Na Bahia, eu fiquei hospedada em um hotel localizado na Praia do Forte, que fica na Mata de São João. É um local paradisíaco, com uma praia linda, de 14 km de extensão.

Vista da Praia do Forte

Entrada do Projeto Tamar - Praia do Forte

É na Praia do Forte que está localizada a principal base do Projeto Tamar, que atua na preservação das tartarugas marinhas e outros seres do mar. Além dessa, o projeto conta com bases em diversas cidades brasileiras litorâneas. Na visita ao local, fomos acompanhados por um guia que nos explicou curiosidades sobre as tartarugas e nos contou detalhes sobre o projeto.

As tartarugas são animais incríveis e que sofrem muito, tanto pela dinâmica selvagem da natureza quanto pela ação do homem.  Desde o seu nascimento até chegar ao grande mar, esses animais enfrentam grandes desafios.

Esculturas que representam os cinco tipos de tartarugas que frequentam o Brasil (no mundo todo existem sete tipos)

Exemplo de ninhos demarcados nas praias

Filhotes em observação no Projeto Tamar. Em alguns dias seriam entregues ao mar

Depois de grandes, os machos nunca mais saem da água; por isso, apenas as fêmeas botam os ovos, e elas sempre voltam para o lugar onde nasceram. As tartarugas conseguem esse feito graças a partículas de magnetite que vão parar em seu cérebro quando elas se arrastam para o mar, ainda filhotes. E assim elas se orientam pelos campos magnéticos, pois cada praia tem a sua "marca" específica. Não é incrível?

Uma tartaruga coloca aproximadamente 120 ovos e o projeto estima que a cada mil filhotes, apenas um sobrevive e chega a idade adulta. Depois que nascem, os filhotes demoram de quatro a cinco dias para escalar o buraco de areia onde foram depositados os ovos e chegar à superfície! Durante esse período, eles conseguem retirar o ar das partículas de areia! Depois de chegarem ao mar, também demoram até cinco anos para saírem da área da costa, onde estão os maiores riscos - como os predadores - e chegarem até o grande oceano.

Ilustração do ciclo de vida de uma tartaruga marinha

Uma tartaruga pode viver de 80 a 100 anos. Mas a cada dez tartarugas encontradas mortas, nove são por causa de sacos plásticos. No fim do ano passado eu estive no Guarujá, litoral de São Paulo e lá eu andei de stand-up pela primeira vez.

A prancha permite que a gente vá para uma distância considerável da praia, e durante o remo eu encontrei sacolas plásticas, saco de salgadinho e um plástico inteiro de fardo de cerveja. Foi muito triste ver todo esse lixo no mar e eu pensei em quantos mais não existiam por aí. Foi um alerta sobre a falta de consciência e educação ambiental no Brasil.

Uma coisa legal que o Projeto Tamar levou para a vila da Praia do Forte foi exatamente a conscientização. Hoje, os pescadores que antes caçavam as tartarugas e utilizavam sua carne como comida e o casco como item de venda, são parceiros na preservação desses animais.

Poder conhecer de perto uma base do projeto Tamar e entender um pouco mais de todo o trabalho e esforço que há por trás dele para a preservação da natureza e dos animais foi uma oportunidade realmente incrível. Essa viagem deixou muita saudade.  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Conceito Ada

Foto: Morgana Mazzon - Modelo: Patrícia Machado

Fico muito feliz quando descubro novas marcas que são adeptas do slow fashion, feita por pequenas empresas ou pessoas, de forma artesanal. Isso significa um maior cuidado e dedicação ao que está sendo feito, e muitas vezes está atrelado à uma preocupação com o meio ambiente e com um consumo consciente e alternativo ao mercado tradicional. É muito bom saber quem fez e de onde vem o que estamos comprando. 

A Ada se relaciona com todos esses conceitos. O nome da marca é uma homenagem à Ada Augusta Byron King, mulher que criou o primeiro algoritmo para ser processo por uma máquina. Aliás, mais do que uma marca, a Ada se vê como um conceito de liberdade.

Todas as peças são veganas e com um design minimalista, que foge de padrões da moda. Elas também são feitas com fibras naturais e feitas no Brasil, o que é legal porque estimula a produção nacional.

Além disso, a Ada promove uma iniciativa super bacana que é direcionar todos os resíduos têxteis para uma ONG que os transforma em caminhas para animais resgatados <3  

Eu conheci a marca há um tempo, navegando pelo instagram, e me encantei com as roupas. Por isso, fui atrás das meninas por trás da marca para conhecer um pouco mais sobre a proposta e hoje publico aqui no blog uma pequena entrevista, concedida gentilmente pela Camila, uma das sócias. 


"Acreditamos que menos é mais, acreditamos na liberdade de reinventar-se sem agredir o planeta"


Foto: Morgana Mazzon - Modelo: Patrícia Machado

Quando surgiu o interesse por uma moda mais consciente?

Para mim (Camila) o interesse surgiu no meio da faculdade de moda, quando o assunto de moda sustentável e consumo consciente começaram a ser abordados com uma maior frequência. A Melina é do interior e sempre teve maior contato e também o costume de consumir de pequenos produtores, de ter uma proximidade com quem faz os produtos e entender o processo por trás de cada produto.  


Vejo que existem muitas marcas que se preocupam com a sua produção e com toda a cadeia de consumo, e que são de Porto Alegre. Existe algum movimento na cidade que incentive esse tipo de consumo?

É peculiar que várias marcas ligadas ao consumo consciente surgiram em Porto Alegre na mesma época! Acreditamos que tem muito a ver com a mudança da forma de pensar do povo gaúcho. Somos incrivelmente tradicionais e acabamos recebendo muito bem as questões sobre sustentabilidade e manualidades. Acreditamos que um dos principais fatores é o fato das pessoas quererem se aproximar e conhecer os processos dos produtos, entender como cada item é feito e por quem é feito. Isso acaba por criar um vínculo maior com a peça, para além de apenas adquirir algo.  


Qual é a principal mensagem que vocês querem passar com a Ada?

Queremos conscientizar as pessoas sobre o verdadeiro consumo sustentável. Mostrar como as peças são feitas e quem está por trás delas, além de todas as etapas de processo produtivo. É preciso fazer com que se comece a compreender que o valor normal de roupa não é o de R$ 30,00 de uma blusa de fast fashion. Principalmente, queremos aproximar o consumidor de quem faz, criando uma relação mais próxima com o consumidor, livre de barreiras!  

Foto: Morgana Mazzon - Modelo: Patrícia Machado

sábado, 19 de novembro de 2016

Cozinhar é saudável



Convenhamos, pensar em preparar uma refeição depois de um dia cansativo e fora de casa é desanimador. Dependendo do nível de fome e da variedade da nossa despensa, a primeira e melhor opção de fato vai ser recorrer à comida que fica pronta em 5 minutos. 

Como já disse aqui, todo novo hábito requer adaptação. Preparar um caldo de legumes, um molho de tomate ou a marmita da semana é algo que leva tempo sim. Por isso, fica difícil deixar para fazer tudo no dia a dia.  Mas se a gente se dispor a separar algumas horinhas no fim de semana para nos organizarmos em relação à alimentação, vamos ter tempo suficiente para nos dedicarmos ao preparo dos alimentos que vão facilitar a vida durante a semana.

Citei o molho de tomate e o caldo de legumes porque foram duas coisas que eu já me arrisquei a fazer, depois de tomar uma decisão de fazer algo de fato para diminuir o meu consumo de produtos ultraprocessados. Praticidade nem sempre é sinônimo de comida embalada.  

Para estimular uma reflexão sobre o assunto, acho válido ressaltar aqui o projeto da Rita Lobo sobre alimentação saudável. No Panelinha, canal do youtube dela, estão disponíveis vários vídeos que desmistificam alguns conceitos relacionados aos alimentos e esclarecem alguns pontos importantes. 

Adoro a definição da Rita de que comida saudável é comida de verdade, feita em casa. Não basta comprar orgânicos, comer salada e banir metade dos alimentos existentes no mundo do prato para achar que está comendo de maneira saudável.

Pra mim, um dos vídeos mais legais desse curso é o que fala sobre como saber se um alimento é saudável de verdade. O professor  Carlos Monteiro, que coordena o ‘Guia Alimentar para a População Brasileira’, explica a diferença entre alimentos processados, ultraprocessados e naturais. É o bê-a-ba para sabermos o que a gente está consumindo. Clica aqui pra ver!  

Gosto muito do jeito que a Rita Lobo trabalha com o cozinhar e com a alimentação. Vale a pena assistir todos os vídeos do curso, que pode nos ajudar a repensar o nosso jeito de comer. 


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Compartilhando

Mais um post para compartilhar eventos legais que acontecerão nesse mês. Olha só:

1. Exposição "A Criança e a Imaginação da Matéria"

O museu A Casa recebe a partir do próxima sábado (12) uma exposição de brinquedos de sucata, todos feitos por crianças. As peças foram produzidas em um galpão na cidade de Fortaleza (CE). A exposição deve ser linda tanto pela criatividade de imaginação das crianças, quanto pela carga afetiva que cada brinquedo deve carregar.  

O museu fica na Av. Pedroso de Morais, 1.216 - Pinheiros (SP). A exposição é gratuita.

2.  Fórum sobre economia de baixo carbono 

O Insper recebe no dia 23 de novembro o fórum "Desenvolvimento e Economia de Baixo Carbono". Com colaboração da Folha de S. Paulo e Instituto Escolhas, e apoio do Instituto Clima e Sociedade, a ideia é abordar a questão de novas energias e a possibilidade de uma economia limpa.

As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas pelo site aqui.

3. Festival Reverbere

O Reverbere é um festival de permacultura e essa é a sua primeira edição! O evento vai acontecer em São Paulo, de 23 a 27 de novembro e conta com palestras e cursos. Para participar, tem que fazer uma inscrição no site e fazer a doação de um brinquedo ou livro infantil :)

Mais informações pelo site aqui.   

terça-feira, 8 de novembro de 2016

COP22 e Acordo de Paris - Corrida global

A 22ª Conferência Anual da ONU sobre mudanças climáticas (COP) começou nesta segunda-feira (7) em Marrakech, Marrocos. Líderes de 192 países estão reunidos para discutir a urgência de medidas efetivas no combate ao aquecimento global, compiladas no Acordo de Paris.

A assinatura do acordo, que entrou em vigor no dia 4 de novembro, é considerada histórica porque Estados Unidos e China se comprometeram com a causa. 

A professora e pesquisadora Maureen Santos, da PUC-Rio e da Plataforma Socioambiental do BRICS Policy Center, disse em entrevista ao The Intercept Brasil que a eficácia do acordo, entretanto, é questionável.  
Ela diz que há outros fatores além das mudanças climáticas, como a crise hídrica, a questão do lixo, a perda da biodiversidade, e todos esses temas convergem para a crise ambiental.

Uma das maiores críticas feitas ao Brasil até agora foi sobre a possibilidade do país investir em energia proveniente da queima de carvão, “energia firma e barata”, segundo a com a Associação Brasileira do Carvão Mineral. Já é mais do que na hora de mudarmos a nossa mentalidade, substituindo o barato pelo sustentável (que se sustenta). Essa lógica de privilegiar o preço acima de consequências éticas, morais, econômicas, sociais e ambientais não dá mais.

A engenheira Suzana Kahn disse à BBC Brasil que a crise pode, na verdade, ajudar atualmente. "É por conta dela (da crise) que provavelmente vamos atingir nossas metas com mais facilidade. Crise reduz consumo, reduz energia... isso diminui a pressão sobre o uso dos nossos recursos naturais".



sábado, 29 de outubro de 2016

Sustentabilidade e Moda - Paraty Eco Festival 2016

A BBC Brasil publicou essa semana uma matéria que denuncia o uso de trabalho escravo de refugiados em empresas de fast-fashion na Turquia. Infelizmente, a matéria é mais uma que se soma às milhares de notícias que lemos sobre uso de trabalho escravo no mundo.

É muito chocante saber que empresas realmente usam esse tipo de trabalho e fazem vista grossa para a questão. É por causa de matérias como essa e outras que saem na mídia que nós consumidores devemos nos forçar para mudar os nossos hábitos de compra. Por algum tempo eu ainda comprei em lojas que eu sabia que usavam trabalho escravo, seja por comodidade ou por preguiça de ir atrás de alternativas. Mas desde que comecei a repensar sobre outros hábitos, comecei a refletir e levar realmente a sério as escolhas que eu faço também na moda. 


Paraty Eco Festival | Foto: InstigarBlog
Felizmente, já existem muitas pessoas pensando em alternativas para uma moda mais sustentável e consciente. E ser sustentável não diz respeito apenas ao meio ambiente, mas toda a cadeia produtiva. No último fim de semana eu tive a oportunidade de viajar pra Paraty, onde aconteceu a 6ª edição do Paraty Eco Festival. Foram três dias de palestras, exposições, oficinas e feira de artesanato, englobando moda e sustentabilidade.

A primeira palestra que eu assisti na sexta-feira foi da Barbara Mattivy, da Insecta Shoes. Ela falou um pouco sobre a marca, do que são feitos os sapatos e também sobre o comprometimento da Insecta em ser sustentável. Segundo ela, já foram feitos quase 15 mil pares de sapatos com mais de três mil roupas recicladas. 



Anatomia de um Insecta | Foto: InstigarBlog

Uma ação muito legal que eles estão fazendo de uns tempos pra cá é focar no pós consumo. Assim, a Insecta passou a receber os pares de sapatos antigos para dar um descarte correto para eles ou até mesmo reutilizar algum material. A Barbara também contou sobre uma parceria futura da Insecta com a Flavia Aranha <3

Outra palestra muito interessante, no sábado de manhã, foi com as representantes do Fashion Revolution no Brasil. Elas comentaram um pouco sobre algumas campanhas de conscientização realizadas e como o movimento trabalha diretamente com o consumidor, desafiando-o a cobrar das marcas que compra. Cada ano o FR lança uma campanha diferente, instigando as pessoas a pensarem sobre quem ou o que se sustenta quando se compra de uma marca.

Campanha do Fashion Revolution 2017 | Foto: Instigar Blog

A campanha desse ano foi sobre trabalho escravo infantil, o que infelizmente é muito comum no Brasil, principalmente nas fábricas de sapatos. Já a campanha de 2017 será "Money, Fashion, Power", e vai questionar todo o dinheiro que corre pela cadeia produtiva da moda. Isso engloba custos de roupas, pagamentos de funcionários e muitas outras questões.   


Dudu Bertholini cativou a platéia durante sua palestra | Foto: InstigarBlog

Dudu Bertholini também marcou presença no sábado. Uma das frases mais impactantes dele para mim foi a de que a moda não dita mais tendências, mas é um reflexo da vida. Ou seja, com mais e mais pessoas se questionando sobre a origem das suas roupas e cobrando das marcas uma atitude diferente, a lógica da moda está se transformando. E ela também é um reflexo do estilo de vida que está nas ruas. 

Isso já se conecta diretamente com o que foi abordado pelo André Carvalhal, que encerrou o ciclo de palestras no domingo. Ele falou muito sobre a mudança de comportamento de consumo e a consciência de que a marca que as pessoas compram é a marca que elas financiam. 

Ele também trouxe dados de choque sobre a indústria da moda, a segunda maior poluidora, perdendo apenas para a indústria de petróleo. 

O André encerrou um período de 10 anos na FARM e apresentou o seu novo projeto pessoal, a MALHA. Trata-se de um espaço de coworking, em um galpão em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Há um trabalho com novas marcas, que expõem os seus trabalhos, seguindo uma lógica produtiva alternativa dentro da moda. Também há palestras, shows e no futuro haverá um bar. Segundo André, é uma espécie de shopping do futuro, um lugar onde as pessoas não vão necessariamente para comprar, mas para trocar conhecimento. 


André Carvalhal contou sobre sua transformação profissional | Foto: InstigarBlog


Palestra André Carvalhal | Foto: InstigarBlog

sábado, 15 de outubro de 2016

Compartilhando

Fazia tempo que não tinha um #Compartilhando por aqui! Andei meio sumida porque estou na reta final do meu TCC, mas vim aqui trazer algumas dicas de eventos super bacanas pra este mês de outubro.

Paraty Eco Festival

De 12 a 23 de outubro acontece a 6ª edição do Paraty Eco Festival. Com realização do Instituto Rio Moda e Instituto Colibri, o evento conta com exposições, desfiles, palestras e oficinas que abordam o tema da moda sustentável. O festival também promove a valorização de produções artesanais das comunidades locais e de diversas cidades do Brasil.

Mais informações pelo site: http://www.paratyecofestival.com.br/  


ExpoReciclos

O shopping VillaLobos em São Paulo recebe até o fim do mês exposição "Reciclos - A arte da invenção". Todas as obras foram feitas com latinhas, plásticos, vidro, papel, óleo de cozinha etc. É mais um exemplo de como aquilo que consideramos lixo pode se transformar em arte.
O shopping fica na Avenida das Nações Unidas, 4777. A entrada é gratuita.
Mais informações: www.exporeciclos.com


Zoo Urbano

Outra exposição em São Paulo é a "Zoo Urbano", na Praça da Paz, dentro do Parque Ibirapuera. Ela também traz obras feitas com materiais reutilizados, estimulando uma reflexão sobre a quantidade de resíduos que produzimos e como lidamos com essa questão.  


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cosméticos naturais | Rua do Sabão



Quem se preocupa em ter uma vida mais saudável geralmente tem um cuidado especial com a alimentação. Nos últimos tempos cresceu muito a demanda por produtos orgânicos, porque as pessoas começam a se questionar cada vez mais sobre a origem daquilo que estão comendo.

E esse pensamento deveria se expandir para tudo que consumimos. Já pensou de onde vem os cosméticos que você usa? A maioria dos produtos que existem por ai nas prateleiras são nocivos ao invés de benéficos, tanto pra nós quanto pro meio ambiente. Por exemplo, sabe as microesferas dos esfoliantes? Pois é, elas são plástico na verdade e poluem muito o meio ambiente. Muitas espécies marinhas ingerem essas microesferas 

Há algumas semanas eu estive em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo e conheci a Rua do Sabão, uma loja de produtos naturais (de verdade) e veganos. A Ana Carla é a dona super querida da loja e toda a produção é manual, feita na casa dela.   

Uma das coisas mais legais de se comprar um produto natural é exercitar um consumo consciente. Como eles têm uma validade de até seis meses, por mais difícil que seja, não dá pra comprar a loja inteira de uma vez ;)  

Uma das prateleiras com sabonetes variados

Shampoos!

Linha de cremes


As linhas da loja ainda são pequenas, mas bem variadas. Tem uma prateleira só de sabonetes feitos com diversos tipos de argila, cremes para corpo e cabelo, shampoos, buchas vegetais etc. Os shampoos vêm em frascos e são de refil! Dá pra levar na loja reutilizando a garrafinha e ainda tem desconto. Queria que desse pra sentir pelas fotos o cheiro maravilhoso do shampoo de mexerica, é incrível. 

Entre as ideias criativas da Ana tem um sabonete que é uma mini bucha vegetal. Ela vai aparecendo conforme o uso, então você lava e esfolia o corpo ao mesmo tempo. Ela também teve o cuidado de pensar em uma linha de produtos infantil e para as mulheres grávidas.   


Embrulho de presente reutilizável

Outro ponto que ganhou o meu coração foram as embalagens. Em algumas coisas a Ana ainda não viabilizou um jeito melhor do que o plástico, mas a embalagem de presente dela é um paninho de chita - que eu reutilizo como guardanapo <3

Uma loja de produtos naturais e que ainda é sustentável. Muito amor!     

terça-feira, 20 de setembro de 2016

É possível reciclar o lixo orgânico?

Acredito que muita gente relacione a reciclagem apenas com os resíduos sólidos, ou seja, basicamente embalagens. Pra mim, a reciclagem era isso mesmo, até que eu ouvi falar sobre compostagem. A primeira vez que eu li sobre esse termo foi em uma matéria do jornal Nexo. De cara, eu fiquei encantada com a proposta e pesquisei muito até tomar a decisão de ter uma.

A importância da compostagem está no fato dela ser uma alternativa para lidarmos com os resíduos orgânicos. Segundo um levantamento do Instituto Guandu e da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe),  51% do lixo do Brasil é de matéria orgânica!

Print de matéria do Ciclo Vivo



Como funciona? 

A compostagem basicamente é a reciclagem dos resíduos orgânicos. A técnica pode ser feita com o uso de minhocas (californianas) que facilitam o processo de decomposição. Ao final são gerados dois tipos de composto, um sólido e outro líquido.

O composto sólido é uma terra muito fértil, que pode ser utilizada em vasos e hortas e o líquido também é rico em nutrientes, bom para borrifar nas plantas. Assim, a compostagem incentiva a agricultura :)  Se você não tem plantas em casa, pode doar para alguém que tenha ou propor um projeto de horta comunitária no seu bairro ou no prédio.  

O processo de compostagem contribui para que os resíduos orgânicos não sejam descartados incorretamente em lixões e aterros, evitando também a incineração, emissão de gases poluentes e a formação do chorume, o líquido tóxico que contamina o solo e a água. É um sistema simples que pode ser adotado em residências, empresas, escolas.

Foto da minha composteira | @instigarblog

É preciso ter alguns cuidados básicos, mas seguindo tudo certinho, é só alegria! Uma composteira é feita, geralmente, por três caixas: duas caixas digestoras e uma caixa coletora (pra onde vai o líquido dos resíduos orgânicos).

A caixa coletora é a da base e as duas caixas digestoras vão em cima dela. A primeira caixa digestora deve ser enchida com os alimentos orgânicos e quando ficar cheia, troca de lugar com a caixa do meio, que passará a receber os alimentos. Todo o material orgânico que for colocado na composteira deve ser coberto com alguma matéria seca, como folhas ou serragem sem cola ou resina. As caixas também não podem pegar sol diretamente e devem ficar em um lugar arejado.

Carnes, fezes de animais, papel higiênico usado e líquidos como sopas, caldos, leite e iogurtes não podem ir na composteira! As frutas cítricas como limão e laranja não recomendadas em grandes quantidades, porque podem afetar as minhocas, além de alho, cebola, óleos e alguns alimentos cozidos.

Crédito: Instigar Blog 

Por onde começar?

Em São Paulo, o pessoal da Morada da Floresta produz esses sistemas, e foi com eles que eu comprei a minha composteira, mas também existem vários tutoriais que ensinam a fazer uma, o que é legal porque reutiliza materiais.

Em 2014, a prefeitura de São Paulo lançou um projeto em parceria com a Morada chamado "Composta São Paulo", no qual algumas famílias foram selecionadas e presentadas com uma composteira para que a ideia pudesse ser disseminada na cidade.

Separei dois vídeos que podem ajudar a entender um pouco mais sobre a compostagem, um da Morada da Floresta e outro da Fe Cortez, do Menos 1 Lixo. É só clicar em cima dos nomes para assistir.

Ter uma composteira pode parecer algo muito maluco, meio de outro mundo, mas é apenas o choque frente algo diferente e desconhecido. Porém, acredito que se a gente se deixar experimentar o novo, podemos ver como é uma técnica viável e revolucionária. De pouco em pouco, espero que a compostagem se torne uma prática comum no Brasil e no mundo, como uma alternativa sustentável.

Minha dica é: pesquise muito, procure, tire dúvidas, experimente e instigue a si mesmo :)

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Festival da Agricultura Urbana




No último sábado eu fui conferir a 2ª edição do Festival da Agricultura Urbana, que aconteceu em São Paulo, na praça Victor Civita. O evento foi incrível! Tinha muita oficina legal, sobre horta, compostagem, alimentação e outros temas. Também tinham comidas variadas e uma feira de produtos orgânicos, vendidos por produtores locais.

A praça fica em Pinheiros, e o local costumava ser o lixão da região. Por esse motivo, o solo está contaminado por 300 anos e não se pode pisar nele. Para que a praça pudesse ser ocupada, foi construída uma estrutura de madeira em cima do solo, o que deu um ar super bonito pro lugar, mas por um motivo triste, se for pensar. 

Durante a tarde eu participei de uma conversa sobre hortas urbanas comunitárias e caseiras. Depois, fui para a palestra sobre compostagem doméstica com o pessoal da Morada da Floresta. Foi uma oportunidade ótima para tirar dúvidas sobre esses assuntos, expandir os meus conhecimentos e ser instigada por novas questões. Há tanta gente trabalhando em diferentes áreas, seja por uma alimentação mais saudável, um mundo menos poluído, uma cidade mais comunitária... e tudo isso reflete em uma maior qualidade de vida.

Muita gente pensa que falar de meio ambiente é uma coisa chata, mas se a gente pensar, tudo está ligado. Cuidar do meio ambiente é cuidar da qualidade da água que bebemos, dos alimentos que chegam até nós, do ar que respiramos e consequentemente da nossa saúde. Para mim, o festival serviu para mostrar há um pessoal engajado com essas questões e que o primeiro passo para mudar é a consciência! 

Conversa sobre hortas urbanas e domésticas com a Claudia Visoni

Essa casinha ao fundo era o incinerador do lixão de Pinheiros

Conversa sobre  Segurança Alimentar

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Menos Lixo • Dicas práticas para o dia a dia

Quando eu tive a ideia de criar o blog, fui pensando em alguns posts que eu poderia fazer. Um deles era sobre uma lista de atitudes que poderiam ser tomadas para ajudar a diminuir a nossa produção de lixo diária. Enquanto eu ensaiava começar o blog, conheci o Um Ano Sem Lixo, blog da Cristal. Ela se tornou uma grande referência pra mim e é uma pessoa que já pratica muitas coisas nessa questão e tem boas dicas para dar para quem quer diminuir a sua produção de lixo ou atingir um nível de lixo zero, que era a sua proposta inicial. 

Inspirada pelo ideal da Cristal, eu resolvi analisar o meu lixo sólido por uma semana. Grande parte dele seria reciclável - foi tudo para a sacola reciclável - mas na verdade nem tudo o que pensamos ser reciclável de fato o é.

Observei a minha produção de lixo não orgânico por uma semana e ela está listada abaixo:
  • papel higiênico - todos os dias
  • papel de barrinha de cereal - todos os dias (aproximadamente seis) 
  • embalagem de sabonete
  • embalagens de frios
  • embalagem de aveia 
  • caixinha de temaki
  • embalagem de chocolate
  • caixa de morangos
  • embalagem de ovos
  • saquinhos e embalagens de chá
  • embalagem de biscoito 
  • papel de bala 
  • copo descartável de chocolate quente
  • embalagem plástica de livro 

Imagina essa quantidade de lixo, ou mais, toda semana. Qual será o acúmulo no final do mês? E do ano? Quanto desse lixo realmente será reciclado? Diminuir a própria produção de lixo ou ir além, procurando atingir uma produção de lixo zero, exige primeiro de tudo um planejamento. É necessário uma mudança em relação ao nosso consumo de alimentos, produtos de limpeza e de higiene pessoal, cosméticos, roupas, enfim, tudo o que compramos para a nossa vida.  

No Brasil, a indústria de reciclagem ainda não é muito forte, sendo que a população carece de uma educação ambiental, que possa contribuir para o trabalho que hoje é feito pelos catadores de cooperativas de reciclagem.

Como cidadãos, devemos cobrar dos nossos representantes que possam investir em políticas públicas voltadas para a questão, além do compromisso por parte das empresas, que deveriam investir em uma logística reversa de seus produtos, porque é de responsabilidade delas cuidar dos impactos daquilo que colocam no mercado. 

Ainda assim, mais do que investir em reciclagem, é importante que nós possamos também rever os nossos hábitos e diminuir a intensidade do nosso consumo. Há um conceito muito interessante, apresentado pela Isabela Maria Gomez de Menezes, do Transition Towns Brasil, que é a pré-ciclagem, ou seja, fazer uma seleção antes de comprarmos as coisas.  

Analisar o próprio lixo e pensar em alternativas é uma mudança para ser feita aos poucos. Todo hábito novo é difícil de ser assimilado. Mesmo com um copo reutilizável, sacolas e guardanapos de pano, muitas vezes eu acabava usando copos descartáveis, pegando sacolas no mercado ou usando um guardanapo de papel, seja pela praticidade do momento ou por puro esquecimento, pois aquilo ainda não era uma rotina para mim. Mas, fui melhorando a cada dia e hoje eu fico muito feliz quando posso abrir mão de algo que geraria lixo.  

Há cinco atitudes básicas para começar a reduzir a própria produção de lixo diária:  

1. Copo Reutilizável
Desde o começo do ano eu uso um copo de plástico que eu tinha comprado para me forçar a beber mais água. Ele tem um tamanho bom, é resistente e tem uma tampa que veda muito bem. Lendo alguns blogs eu percebi que há uma certa resistência com os plásticos, principalmente pela falta de informação sobre sua composição e porque é um material que demora muito para se decompor quando é descartado incorretamente.
Porém, eu já tinha o copo e não vou jogá-lo fora, porque ele está em ótimo. Uma coisa que li no Um Ano Sem Lixo é que para mudarmos os nosso hábitos, em termos de sustentabilidade, não adianta jogar fora tudo que você tinha antes e começar do zero, mas sim fazer uma transição.
Daqui pra frente, vou dar preferência ao vidro, principalmente para armazenar alimentos, porque eles podem ir ao microondas e não pegam cheiro como o plástico. 



O copo rosa geralmente fica no meu trabalho, eu sempre deixo lá para beber água e às vezes eu uso para beber suco na rua. Uma outra opção são copos de vidro, práticos e versáteis. Podem servir para beber algo ou também de pote para levar a marmita do dia. Eu sempre carrego um comigo na bolsa, de tamanho pequeno, para alguma emergência.  

2. Guardanapos de pano
Essa foi uma ideia que vi no Um Ano Sem Lixo e amei logo de cara. Os guardanapos de pano são reutilizáveis e você pode usar eles pra comer quando comprar alguma coisa, dispensando saquinhos de papel e também na hora de fazer as refeições na rua ou mesmo em casa.

Segundo dados do Instituto Guandu e Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), guardanapos​ usados, papel higiênico, esponja de pia e óleo de cozinha compõem, junto com outros resíduos para os quais não há reciclagem, 17% do lixo do país.

Eu comprei os panos em uma loja de tecidos e depois mandei na costureira para dar acabamento, mas se você tiver sobras de tecidos em casa pode juntá-los e fazer um guardanapo original. Esses da foto têm uns 40cm abertos.





3. Talheres
Carregar os próprios talheres pode contribuir para uma redução do lixo diário. Em três restaurantes que eu almocei, reparei que os talheres e guardanapos vinham embalados. Acho que é um desperdício de plástico e papel para embalar essas coisas. Os guardanapos em si já são um desperdício de papel. 

Eu não sei se há uma regra de higiene da Anvisa, mas fato é que já comi em restaurantes na rua e no shopping que não embalam seus talheres e guardanapos, mas os deixam dispostos em uma caixa. Para não enfrentar um dilema ecológico, tente levar sempre com você os seus próprios talheres. Eu resolvi investir em um kit de talheres dobrável, tipo de acampamento. E para dispensar os guardanapos de papel, invista em um de pano.




4. Carregar as marmitas/lanches em bolsas térmicas

Levar a própria marmita tem inúmeros benefícios. Primeiro, é uma forma de alimentação mais saudável, já que se trata de comida caseira. Basta se organizar, reservar um tempinho e adiantar algumas coisas para o decorrer da semana. É ótimo poder comer algo que eu fiz no lugar de um lanche rápido da rua. Segundo, ao levar marmitas e lanches, é legal investir em uma bolsa térmica para armazenar os alimentos e garantir uma durabilidade maior dos alimentos.

Eu também parei de embalar os meus lanches em papel alumínio porque certo dia eu me dei conta do grande desperdício de papel que isso era: muitas vezes ele nem sequer ficava sujo, mas era pequeno demais para ser reutilizado em outro lugar e não dava para usar no sanduíche do dia seguinte.

5. Sem canudos

Exceto para pessoas que possam ter algum tipo de deficiência ou necessidade especial, os canudos são algo totalmente dispensável. Eles são bonitinhos como enfeite, mas demoram anos para se decompor e acabam em lugares errados, como mares, oceanos, e narizes de tartarugas. É incrível o tamanho do estrago que algo pequeno pode fazer.

Em 2015 foi desenvolvida uma campanha super fofa, durante uma oficina no Seminário Gastronômico de Marketing. Para incentivar as pessoas a abrir mão dos canudos, foi criada a hashtag #MasBigotesMenosPitillos (mais bigodes, menos canudos). Então não tenha vergonha de abrir mão dos canudos e aproveite o bigodinho sempre que beber alguma coisa! :)   

domingo, 21 de agosto de 2016

Compartilhando

Um dos pontos positivos de São Paulo ser uma cidade grande é a diversidade de eventos que acontecem por aqui. Nos próximos dias a cidade terá uma agenda cheia, com uma virada e um festival, além de uma audiência pública pra tratar de um tema muito importante.


1. Virada Sustentável

A partir da próxima quinta-feira, 25, vai acontecer mais uma edição da Virada Sustentável. A programação é bem variada, com palestras, workshops e encontros em diversas regiões da cidade. Tem muuita coisa legal que fica até difícil escolher. A programação completa está no site.  

2. 2º Festival da Agricultura Urbana

No sábado, 27, além da Virada Sustentável, acontece o 2º Festival da Agricultura Urbana. O evento também tem diversas atrações, com temas ligados principalmente à alimentação e comida orgânica. Não encontrei site do evento, apenas uma página no facebook. Dá pra conferir toda a programação aqui.


3. Audiência Pública sobre agrotóxicos

Segunda e terça-feira que vem (29 e 30/08) , acontecerá uma audiência pública para debater a respeito do Projeto de Lei (PL) 3.200/2015, chamado de "PL do veneno". Trata-se de um projeto que pretende alterar algumas normas em relação ao uso de agrotóxicos no Brasil. Entre as propostas estão alterar o nome dos agrotóxicos para "defensivos fitossanitários", retirar a responsabilidade de órgãos como Ibama e a Anvisa de avaliarem e aprovarem os agrotóxicos, diminuir o tempo de aprovação de um agrotóxico, entre outros.
A audiência será na Faculdade de Saúde Pública da USP, em São Paulo, a partir das 8h30. O endereço é Rua Dr. Arnaldo, 715. Próximo à estação Clínicas do metrô.

*Errata: no post original eu falei que a audiência pública seria na segunda-feira (22) mas ela será apenas na próxima semana. 

sábado, 6 de agosto de 2016

Brechas Urbanas

Na última quinta-feira de julho (28) o Itaú Cultural abriu as portas para mais um encontro da série Brechas Urbanas. Em parceria com o movimento Cidade para Pessoas, a série tem como objetivo propor debates com especialistas sobre soluções inovadoras para as cidades.  

O último encontro teve como tema "Sua cidade é o que você come" e contou com a presença de Patrícia Brito, especialista em Política Cultural e Patrimonial e Bia Goll, cozinheira e permacultora. Mediadas pela jornalista Natália Garcia, as convidadas falaram um pouco sobre seus trabalhos e como pensam e estudam a relação das pessoas com a comida. A ideia era discutir como as nossas escolhas alimentares moldam o mundo.

Natália abriu o debate resgatando um pouco de história. Com imagens, a jornalista mostrou como era a organização da cidade de Londres antes da Revolução Industrial. Ela explicou que a cidade era moldada de acordo com o deslocamento dos alimentos. Era o fluxo alimentar que determinava a expansão da cidade. 

A partir de determinado momento houve uma ruptura dessa lógica. Uma vez que os alimentos não procediam mais de fontes locais, mas passaram a vir de fora, a cidade pôde crescer exponencialmente. A urbanização acarretou em uma desconexão do ser humano com a lógica natural em relação à comida. As pessoas não sabiam mais, por exemplo, sobre a sazonalidade dos alimentos.

Os alimentos industrializados foram vendidos como salvadores da pátria, uma forma rápida de se alimentar em meio à correria. Esse tipo de comercialização da comida afastou as pessoas do ato de cozinhar. Para promover uma adaptação, as receitas foram pensadas de forma que as pessoas precisariam incorporar algum tipo de ingrediente para finalizá-las, como um ovo ou um copo de leite. Assim, sentiam que estavam "cozinhando".

Um ponto que eu achei muito interessante e que foi levantado durante a conversa foi exatamente o ciclo da cadeia alimentar. O fim da cadeia, que são os resíduos, o nosso lixo, não está sendo tratado. Não há uma atenção para esse eixo da cadeia, e os nossos resíduos estão se tornando um problema para o mundo. Uma solução que está começando a engatinhar no Brasil é a compostagem dos resíduos orgânicos e a reciclagem dos resíduos sólidos. Mas é preciso muito mais engajamento e busca de conhecimento para praticar essas ações em larga escala e poder ver algum resultado de impacto positivo para o meio ambiente.
Patrícia trabalha com a comida como memória. É o que ela chama de memória gustativa. Ela estuda principalmente a relação de mulheres com os fornos, na região de Minas Gerais. Cada forno é diferente, concebido com diversas formas e tipos de materiais. As variedades desse utensílio se expressam em diferenças locais. Ela percebeu que os grupos quilombolas se destacam como detentores de um saber cultural  em relação aos alimentos e seu preparo.

Bia começou sua fala explicando que é ela cozinheira, que é aquela que trabalha com a comida. Ser chef também é uma característica sua, uma vez que tem que liderar uma equipe, mas não é com essa palavra que se define. Além de cozinheira, Bia é permacultora. Nesse ser, o que se busca são técnicas que possibilitem a vivência em harmonia com o meio ambiente.

Ela falou sobre a possibilidade de conexão com o planeta por meio da alimentação. Estudar a comida, se interessar pela sua procedência, como ela é preparada, cultivada e se preocupar com o destino dos nossos resíduos. 

"Quando você pratica o que você consegue fazer, já inspira alguém", disse. Essa fala introduziu sua opinião de que a mudança é necessária, mas deve ser feita aos poucos. Muitas vezes podemos sentir uma pressão para mudar nossa alimentação e nossos hábitos. Consumir orgânicos, investir em uma horta, compostar, podem não ser práticas tão simples ou acessíveis em um primeiro momento. Nada deve ser radical, mas um processo. O mais importante é adquirir consciência para que possa germinar a vontade da mudança.