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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Três produtos bacanas feitos por marcas brasileiras e sustentáveis

Em busca de mudar o meu comportamento de consumo e ter maior controle sobre aquilo que eu compro, tenho pesquisado e testado novas marcas. Hoje vim falar sobre três produtos que experimentei e que ao meu ver, valem a pena de se investir:



Sapato com conforto e alta durabilidade

Já falei um pouco da marca por aqui e acredito que ela já seja conhecida por muitas pessoas hoje. A Insecta Shoes é uma marca brasileira, de Porto Alegre e produz sapatos veganos, feitos a partir de roupas de brechó e com o solado feito da reciclagem de garrafas pet.

Os produtos da Insecta são de extrema qualidade e duram muito. Se formos comparar com os preços de shopping, os da Insecta não são algo tão exorbitante, e valem muito a pena. Além disso, é muito bacana apoiar uma marca menor e que cria um produto brasileiro de qualidade.

É uma compra que vale muito a pena o custo benefício, além de ser uma peça com muito estilo, pois cada modelo tem uma estampa única. Esse modelo é o meu xodózinho e é da parceria da Insecta com a estilista Flavia Aranha. Todo o tecido dele é tingido naturalmente.



Bolsa topa tudo

Eu estou apaixonada por um modelo de bolsa da marca Sta Spalla. É um bauzinho, feito de madeira de origem legal e couro excedente da produção. É uma forma de dar um novo uso a algo que já foi criado, sem gerar nova demanda. Essa proposta me chamou muita atenção porque é muito legal pegar algo que é excedente de uma produção, que provavelmente se tornaria lixo, e dar um novo sentido a ele.

O que eu mais gosto na marca é que ela alia reaproveitamento de materiais com um design único, criando um produto de qualidade e diferenciado, feito no Brasil.






Cosméticos veganos

Eu amo conhecer marcas de produtos de beleza naturais e já tinha ouvido muito falar da Sabon Sabon. São muitos sabonetes diferentes, cada um pensado de acordo com o tipo de pele ou função (relaxante, hidratante, esfoliante) e todos artesanais, feitos a partir da técnica de cold process.

O que eu experimentei foi o Xuê, feito com argila rosa e óleos hidratantes. Fiquei ainda mais encantada com a marca quando vi que as embalagens são feitas de um papelão durinho, como uma caixinha mesmo. Ai invés de ir pro lixo, ela pode ser customizada e reutilizada para guardar coisas como jóias ou acessórios de papelaria. 


sábado, 29 de outubro de 2016

Sustentabilidade e Moda - Paraty Eco Festival 2016

A BBC Brasil publicou essa semana uma matéria que denuncia o uso de trabalho escravo de refugiados em empresas de fast-fashion na Turquia. Infelizmente, a matéria é mais uma que se soma às milhares de notícias que lemos sobre uso de trabalho escravo no mundo.

É muito chocante saber que empresas realmente usam esse tipo de trabalho e fazem vista grossa para a questão. É por causa de matérias como essa e outras que saem na mídia que nós consumidores devemos nos forçar para mudar os nossos hábitos de compra. Por algum tempo eu ainda comprei em lojas que eu sabia que usavam trabalho escravo, seja por comodidade ou por preguiça de ir atrás de alternativas. Mas desde que comecei a repensar sobre outros hábitos, comecei a refletir e levar realmente a sério as escolhas que eu faço também na moda. 


Paraty Eco Festival | Foto: InstigarBlog
Felizmente, já existem muitas pessoas pensando em alternativas para uma moda mais sustentável e consciente. E ser sustentável não diz respeito apenas ao meio ambiente, mas toda a cadeia produtiva. No último fim de semana eu tive a oportunidade de viajar pra Paraty, onde aconteceu a 6ª edição do Paraty Eco Festival. Foram três dias de palestras, exposições, oficinas e feira de artesanato, englobando moda e sustentabilidade.

A primeira palestra que eu assisti na sexta-feira foi da Barbara Mattivy, da Insecta Shoes. Ela falou um pouco sobre a marca, do que são feitos os sapatos e também sobre o comprometimento da Insecta em ser sustentável. Segundo ela, já foram feitos quase 15 mil pares de sapatos com mais de três mil roupas recicladas. 



Anatomia de um Insecta | Foto: InstigarBlog

Uma ação muito legal que eles estão fazendo de uns tempos pra cá é focar no pós consumo. Assim, a Insecta passou a receber os pares de sapatos antigos para dar um descarte correto para eles ou até mesmo reutilizar algum material. A Barbara também contou sobre uma parceria futura da Insecta com a Flavia Aranha <3

Outra palestra muito interessante, no sábado de manhã, foi com as representantes do Fashion Revolution no Brasil. Elas comentaram um pouco sobre algumas campanhas de conscientização realizadas e como o movimento trabalha diretamente com o consumidor, desafiando-o a cobrar das marcas que compra. Cada ano o FR lança uma campanha diferente, instigando as pessoas a pensarem sobre quem ou o que se sustenta quando se compra de uma marca.

Campanha do Fashion Revolution 2017 | Foto: Instigar Blog

A campanha desse ano foi sobre trabalho escravo infantil, o que infelizmente é muito comum no Brasil, principalmente nas fábricas de sapatos. Já a campanha de 2017 será "Money, Fashion, Power", e vai questionar todo o dinheiro que corre pela cadeia produtiva da moda. Isso engloba custos de roupas, pagamentos de funcionários e muitas outras questões.   


Dudu Bertholini cativou a platéia durante sua palestra | Foto: InstigarBlog

Dudu Bertholini também marcou presença no sábado. Uma das frases mais impactantes dele para mim foi a de que a moda não dita mais tendências, mas é um reflexo da vida. Ou seja, com mais e mais pessoas se questionando sobre a origem das suas roupas e cobrando das marcas uma atitude diferente, a lógica da moda está se transformando. E ela também é um reflexo do estilo de vida que está nas ruas. 

Isso já se conecta diretamente com o que foi abordado pelo André Carvalhal, que encerrou o ciclo de palestras no domingo. Ele falou muito sobre a mudança de comportamento de consumo e a consciência de que a marca que as pessoas compram é a marca que elas financiam. 

Ele também trouxe dados de choque sobre a indústria da moda, a segunda maior poluidora, perdendo apenas para a indústria de petróleo. 

O André encerrou um período de 10 anos na FARM e apresentou o seu novo projeto pessoal, a MALHA. Trata-se de um espaço de coworking, em um galpão em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Há um trabalho com novas marcas, que expõem os seus trabalhos, seguindo uma lógica produtiva alternativa dentro da moda. Também há palestras, shows e no futuro haverá um bar. Segundo André, é uma espécie de shopping do futuro, um lugar onde as pessoas não vão necessariamente para comprar, mas para trocar conhecimento. 


André Carvalhal contou sobre sua transformação profissional | Foto: InstigarBlog


Palestra André Carvalhal | Foto: InstigarBlog