sábado, 29 de outubro de 2016

Sustentabilidade e Moda - Paraty Eco Festival 2016

A BBC Brasil publicou essa semana uma matéria que denuncia o uso de trabalho escravo de refugiados em empresas de fast-fashion na Turquia. Infelizmente, a matéria é mais uma que se soma às milhares de notícias que lemos sobre uso de trabalho escravo no mundo.

É muito chocante saber que empresas realmente usam esse tipo de trabalho e fazem vista grossa para a questão. É por causa de matérias como essa e outras que saem na mídia que nós consumidores devemos nos forçar para mudar os nossos hábitos de compra. Por algum tempo eu ainda comprei em lojas que eu sabia que usavam trabalho escravo, seja por comodidade ou por preguiça de ir atrás de alternativas. Mas desde que comecei a repensar sobre outros hábitos, comecei a refletir e levar realmente a sério as escolhas que eu faço também na moda. 


Paraty Eco Festival | Foto: InstigarBlog
Felizmente, já existem muitas pessoas pensando em alternativas para uma moda mais sustentável e consciente. E ser sustentável não diz respeito apenas ao meio ambiente, mas toda a cadeia produtiva. No último fim de semana eu tive a oportunidade de viajar pra Paraty, onde aconteceu a 6ª edição do Paraty Eco Festival. Foram três dias de palestras, exposições, oficinas e feira de artesanato, englobando moda e sustentabilidade.

A primeira palestra que eu assisti na sexta-feira foi da Barbara Mattivy, da Insecta Shoes. Ela falou um pouco sobre a marca, do que são feitos os sapatos e também sobre o comprometimento da Insecta em ser sustentável. Segundo ela, já foram feitos quase 15 mil pares de sapatos com mais de três mil roupas recicladas. 



Anatomia de um Insecta | Foto: InstigarBlog

Uma ação muito legal que eles estão fazendo de uns tempos pra cá é focar no pós consumo. Assim, a Insecta passou a receber os pares de sapatos antigos para dar um descarte correto para eles ou até mesmo reutilizar algum material. A Barbara também contou sobre uma parceria futura da Insecta com a Flavia Aranha <3

Outra palestra muito interessante, no sábado de manhã, foi com as representantes do Fashion Revolution no Brasil. Elas comentaram um pouco sobre algumas campanhas de conscientização realizadas e como o movimento trabalha diretamente com o consumidor, desafiando-o a cobrar das marcas que compra. Cada ano o FR lança uma campanha diferente, instigando as pessoas a pensarem sobre quem ou o que se sustenta quando se compra de uma marca.

Campanha do Fashion Revolution 2017 | Foto: Instigar Blog

A campanha desse ano foi sobre trabalho escravo infantil, o que infelizmente é muito comum no Brasil, principalmente nas fábricas de sapatos. Já a campanha de 2017 será "Money, Fashion, Power", e vai questionar todo o dinheiro que corre pela cadeia produtiva da moda. Isso engloba custos de roupas, pagamentos de funcionários e muitas outras questões.   


Dudu Bertholini cativou a platéia durante sua palestra | Foto: InstigarBlog

Dudu Bertholini também marcou presença no sábado. Uma das frases mais impactantes dele para mim foi a de que a moda não dita mais tendências, mas é um reflexo da vida. Ou seja, com mais e mais pessoas se questionando sobre a origem das suas roupas e cobrando das marcas uma atitude diferente, a lógica da moda está se transformando. E ela também é um reflexo do estilo de vida que está nas ruas. 

Isso já se conecta diretamente com o que foi abordado pelo André Carvalhal, que encerrou o ciclo de palestras no domingo. Ele falou muito sobre a mudança de comportamento de consumo e a consciência de que a marca que as pessoas compram é a marca que elas financiam. 

Ele também trouxe dados de choque sobre a indústria da moda, a segunda maior poluidora, perdendo apenas para a indústria de petróleo. 

O André encerrou um período de 10 anos na FARM e apresentou o seu novo projeto pessoal, a MALHA. Trata-se de um espaço de coworking, em um galpão em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Há um trabalho com novas marcas, que expõem os seus trabalhos, seguindo uma lógica produtiva alternativa dentro da moda. Também há palestras, shows e no futuro haverá um bar. Segundo André, é uma espécie de shopping do futuro, um lugar onde as pessoas não vão necessariamente para comprar, mas para trocar conhecimento. 


André Carvalhal contou sobre sua transformação profissional | Foto: InstigarBlog


Palestra André Carvalhal | Foto: InstigarBlog

sábado, 15 de outubro de 2016

Compartilhando

Fazia tempo que não tinha um #Compartilhando por aqui! Andei meio sumida porque estou na reta final do meu TCC, mas vim aqui trazer algumas dicas de eventos super bacanas pra este mês de outubro.

Paraty Eco Festival

De 12 a 23 de outubro acontece a 6ª edição do Paraty Eco Festival. Com realização do Instituto Rio Moda e Instituto Colibri, o evento conta com exposições, desfiles, palestras e oficinas que abordam o tema da moda sustentável. O festival também promove a valorização de produções artesanais das comunidades locais e de diversas cidades do Brasil.

Mais informações pelo site: http://www.paratyecofestival.com.br/  


ExpoReciclos

O shopping VillaLobos em São Paulo recebe até o fim do mês exposição "Reciclos - A arte da invenção". Todas as obras foram feitas com latinhas, plásticos, vidro, papel, óleo de cozinha etc. É mais um exemplo de como aquilo que consideramos lixo pode se transformar em arte.
O shopping fica na Avenida das Nações Unidas, 4777. A entrada é gratuita.
Mais informações: www.exporeciclos.com


Zoo Urbano

Outra exposição em São Paulo é a "Zoo Urbano", na Praça da Paz, dentro do Parque Ibirapuera. Ela também traz obras feitas com materiais reutilizados, estimulando uma reflexão sobre a quantidade de resíduos que produzimos e como lidamos com essa questão.  


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cosméticos naturais | Rua do Sabão



Quem se preocupa em ter uma vida mais saudável geralmente tem um cuidado especial com a alimentação. Nos últimos tempos cresceu muito a demanda por produtos orgânicos, porque as pessoas começam a se questionar cada vez mais sobre a origem daquilo que estão comendo.

E esse pensamento deveria se expandir para tudo que consumimos. Já pensou de onde vem os cosméticos que você usa? A maioria dos produtos que existem por ai nas prateleiras são nocivos ao invés de benéficos, tanto pra nós quanto pro meio ambiente. Por exemplo, sabe as microesferas dos esfoliantes? Pois é, elas são plástico na verdade e poluem muito o meio ambiente. Muitas espécies marinhas ingerem essas microesferas 

Há algumas semanas eu estive em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo e conheci a Rua do Sabão, uma loja de produtos naturais (de verdade) e veganos. A Ana Carla é a dona super querida da loja e toda a produção é manual, feita na casa dela.   

Uma das coisas mais legais de se comprar um produto natural é exercitar um consumo consciente. Como eles têm uma validade de até seis meses, por mais difícil que seja, não dá pra comprar a loja inteira de uma vez ;)  

Uma das prateleiras com sabonetes variados

Shampoos!

Linha de cremes


As linhas da loja ainda são pequenas, mas bem variadas. Tem uma prateleira só de sabonetes feitos com diversos tipos de argila, cremes para corpo e cabelo, shampoos, buchas vegetais etc. Os shampoos vêm em frascos e são de refil! Dá pra levar na loja reutilizando a garrafinha e ainda tem desconto. Queria que desse pra sentir pelas fotos o cheiro maravilhoso do shampoo de mexerica, é incrível. 

Entre as ideias criativas da Ana tem um sabonete que é uma mini bucha vegetal. Ela vai aparecendo conforme o uso, então você lava e esfolia o corpo ao mesmo tempo. Ela também teve o cuidado de pensar em uma linha de produtos infantil e para as mulheres grávidas.   


Embrulho de presente reutilizável

Outro ponto que ganhou o meu coração foram as embalagens. Em algumas coisas a Ana ainda não viabilizou um jeito melhor do que o plástico, mas a embalagem de presente dela é um paninho de chita - que eu reutilizo como guardanapo <3

Uma loja de produtos naturais e que ainda é sustentável. Muito amor!     

terça-feira, 20 de setembro de 2016

É possível reciclar o lixo orgânico?

Acredito que muita gente relacione a reciclagem apenas com os resíduos sólidos, ou seja, basicamente embalagens. Pra mim, a reciclagem era isso mesmo, até que eu ouvi falar sobre compostagem. A primeira vez que eu li sobre esse termo foi em uma matéria do jornal Nexo. De cara, eu fiquei encantada com a proposta e pesquisei muito até tomar a decisão de ter uma.

A importância da compostagem está no fato dela ser uma alternativa para lidarmos com os resíduos orgânicos. Segundo um levantamento do Instituto Guandu e da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe),  51% do lixo do Brasil é de matéria orgânica!

Print de matéria do Ciclo Vivo



Como funciona? 

A compostagem basicamente é a reciclagem dos resíduos orgânicos. A técnica pode ser feita com o uso de minhocas (californianas) que facilitam o processo de decomposição. Ao final são gerados dois tipos de composto, um sólido e outro líquido.

O composto sólido é uma terra muito fértil, que pode ser utilizada em vasos e hortas e o líquido também é rico em nutrientes, bom para borrifar nas plantas. Assim, a compostagem incentiva a agricultura :)  Se você não tem plantas em casa, pode doar para alguém que tenha ou propor um projeto de horta comunitária no seu bairro ou no prédio.  

O processo de compostagem contribui para que os resíduos orgânicos não sejam descartados incorretamente em lixões e aterros, evitando também a incineração, emissão de gases poluentes e a formação do chorume, o líquido tóxico que contamina o solo e a água. É um sistema simples que pode ser adotado em residências, empresas, escolas.

Foto da minha composteira | @instigarblog

É preciso ter alguns cuidados básicos, mas seguindo tudo certinho, é só alegria! Uma composteira é feita, geralmente, por três caixas: duas caixas digestoras e uma caixa coletora (pra onde vai o líquido dos resíduos orgânicos).

A caixa coletora é a da base e as duas caixas digestoras vão em cima dela. A primeira caixa digestora deve ser enchida com os alimentos orgânicos e quando ficar cheia, troca de lugar com a caixa do meio, que passará a receber os alimentos. Todo o material orgânico que for colocado na composteira deve ser coberto com alguma matéria seca, como folhas ou serragem sem cola ou resina. As caixas também não podem pegar sol diretamente e devem ficar em um lugar arejado.

Carnes, fezes de animais, papel higiênico usado e líquidos como sopas, caldos, leite e iogurtes não podem ir na composteira! As frutas cítricas como limão e laranja não recomendadas em grandes quantidades, porque podem afetar as minhocas, além de alho, cebola, óleos e alguns alimentos cozidos.

Crédito: Instigar Blog 

Por onde começar?

Em São Paulo, o pessoal da Morada da Floresta produz esses sistemas, e foi com eles que eu comprei a minha composteira, mas também existem vários tutoriais que ensinam a fazer uma, o que é legal porque reutiliza materiais.

Em 2014, a prefeitura de São Paulo lançou um projeto em parceria com a Morada chamado "Composta São Paulo", no qual algumas famílias foram selecionadas e presentadas com uma composteira para que a ideia pudesse ser disseminada na cidade.

Separei dois vídeos que podem ajudar a entender um pouco mais sobre a compostagem, um da Morada da Floresta e outro da Fe Cortez, do Menos 1 Lixo. É só clicar em cima dos nomes para assistir.

Ter uma composteira pode parecer algo muito maluco, meio de outro mundo, mas é apenas o choque frente algo diferente e desconhecido. Porém, acredito que se a gente se deixar experimentar o novo, podemos ver como é uma técnica viável e revolucionária. De pouco em pouco, espero que a compostagem se torne uma prática comum no Brasil e no mundo, como uma alternativa sustentável.

Minha dica é: pesquise muito, procure, tire dúvidas, experimente e instigue a si mesmo :)